Tuesday, 20 October 2009

Reportagem Fotográfica - Mina de São Domingos










Devo esta recolha de imagens e informações a pessoas formidáveis que aqui trabalharam e viveram nos tempos que esta povoação tinha mais de 9.000 habitantes. Destaco a colaboração de José Rodrigues, com a tradicional alcunha alentejana Bito, que numa visita guiada demonstrou ser uma autêntica enciclopédia viva sobre a história da Mina de São Domingos. A ele dedico este pequeno trabalho e expresso os meus agradecimentos.


A existência de minério nesta zona é conhecida desde a antiguidade, tendo os seus afloramentos, ricos em metais preciosos e cobre, sido explorados na época romana. Desse período subsistem uma pequena galeria, ainda visível na corta da mina, e uma roda de madeira para elevação de águas subterrâneas, que se encontra no Museu Nacional de Técnicas de Paris.

Em 1854, as potencialidades mineralíferas desta zona foram redescobertas pelo italiano Nicolau Biava, capataz nas minas espanholas de Tharsis. Confirmada a notável dimensão e riqueza da jazida existente, este cede em 1856 o direito de exploração a favor do francês Ernest Deligny, que formara em 1855 a sociedade La Sabina Mining Company. Obtida a concessão a favor de La Sabina, esta cede em 1858 os direitos de exploração ao engenheiro de minas britânico James Mason, que constitui a sociedade Mason & Barry Limited, responsável pela exploração da mina.

As excelentes condições de produção e escoamento fazem da Mina de São Domingos, logo em 1864, a primeira mina da Europa, com grande parte da sua produção dirigida ao mercado inglês. Depois de extraído, o minério era transportado por caminho-de-ferro para o porto fluvial do Pomarão, onde embarcava nos navios principalmente provenientes de Inglaterra.

Inicialmente, a exploração do subsolo decorre em profundidade e em extensão, expandindo os poços e galerias do período romano. Posteriormente, em 1868, foi implementado o sistema de lavra a céu aberto, para aumentar a produção e reduzir os custos de exploração.

Com o desmonte da serra foi demolido o primeiro povoado e construído o actual. A Oeste e a Norte do jazigo, cresceu então a próspera “vila” de São Domingos. A par de todas as infra-estruturas necessárias ao funcionamento do grande estabelecimento mineiro, instalam-se fundições, serralharias, carpintarias, oficinas diversas e a primeira central eléctrica do Alentejo. No início do século XX acentua-se o incremento da metalurgia em resposta às sucessivas crises do mercado do cobre e à crescente procura de enxofre por parte da indústria química. O aproveitamento desta substância conduz à instalação de uma fábrica, em São Domingos, destinada exclusivamente à produção de enxofre. Esta unidade construída em 1935, na Achada do Gamo, incorporava a mais actualizada tecnologia da época.

Crises significativas de falta de minério, por altura da II Guerra Mundial, têm como consequência o aprofundamento das zonas de extracção até ao nível 390m. Mas, em 1962, o fim da laboração da fábrica de enxofre é o prenúncio do esgotamento da jazida e do encerramento da Mina de São Domingos, que ocorreu em 1966.

Durante os 107 anos de exploração (1859-1966) foram extraídos da sua jazida cerca de 20 milhões de toneladas de pirite cúprica.

Informações recolhidas no local







5 comments:

Pinkye said...

Amazing B&W, that's great contrast and the ruins of the old garage...beautiful shot!

Carla said...

Aqui trabalharam milhares de pessoas! Esta tinha mesmo que ser a Preto e branco - e muito triste e muito bonita!

Jrosa said...

Obrigado pelos vossos comentários! Como a Mina tem uma parte histórica interessante decidi criar um novo tópico chamado PHOTOSTORY (reportagem fotográfica) e dedicar o 1º artigo à Mina de São Domingos.

Pinkye said...

I've translated all your words - it's a lovely story! Great photostory, nice work!

chortamar said...

Amigo José
Valeu esperar, autênticas as fotos, assim como a discrição. gostei da dedicatoria ao Bito.Continui
com o seu belo trabalho.abraço.Carolina

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